Suzie e o gênio da garrafa

Depois de “Onde está Suzie?”, “Suzie na Terra de Oz”, “Suzie e a invasão extra-terrestre”, Suzie Thompson, cantora-compositora-performer-boneca dobrável, nos surpreende mais uma vez com uma garrafa entupida de gênios musicais, no seu ansiosamente esperado CD de estréia: “Suzie para Maiores".
Para maiores, não de idade, mas de identidade, vacinados contra a mediocridade. A quem pensa grande e sente ainda mais, Suzie saca a rolha de sua garrafa de mil e uma noites de som e deixa que sua coleção de gênios se espalhe pelo mapa-mundi. Suely Mesquita, Luís Capucho, Germana Guilherme, Jorge Makandal,
Alê Porto, Arícia Mess, Rodrigo Campello, Kali C.,
Pedro Luís, Drica Novo, Lucinha Turnbull, Ryta de Cássia, Bia Clemente, Mathilda Kóvak e outras feras mitológicas, bem como a inédita Margot Marhnada, descoberta por ela em meio a outros tesouros, são jorrados aos borbotões pelo gargalo-garganta desta odalisca do futuro. No saca-rolhas, só poderia se encontrar o produtor Raul Rachyd, que veio das areias do Saara Saara
para edificar o oásis, no qual Suzie oferece um banquete para seu harém de compositoras, compositores e musicistas, onde ela mesma é comensal, toda escorpião, como verseja uma de suas letras, para os leões do deserto.

Com jeito de Judy Garland, em “O mágico de Oz”, e dona da arte de transfomar o difícil em fácil, como Fred Astaire, esta filha de brasileiro com americana traduz a complexidade da filosofia diária contemporânea para a fluência da popularidade, num dance-and-roll que vai deixar os pés da população sapateando no salão e a cabeça girando no ritmo do melhor pensamento produzido na música pop de agora, cujas escrituras ela vem engarrafando, com perícia rara nos artistas de hoje. Assim, sua garrafa escorre e discorre sobre Eros e Tanatos, no seu uivo de loba pornô, mulher de antenas, que desafia a lei da física e do físico, congela calcinhas e afoga o mundo em pura fantasia.
Nestes tempos de oriente médio, ela assoma muito acima da média, bem orientada por seu radar sensível, encantadora das serpentes do mal, que sucumbem ao seu morrer de bem, de tanto bem viver.
Suzie Thompson, eterna menina, estudante do universo, guarda em sua merendeira a garrafa mágica. É hora do lanche, que hora tão feliz. Queremos Suzie e seus gênios todos, que ela carrega displicentemente, com a grandeza inocente de uma criança.
A pequena Suzie
é para maiores.

SHAZZAM
Mensagem psicografada por Mathilda Kóvak